Estudantes da Licenciatura em Matemática participam em Maceió do 7º SIPEMAT
Estudantes da Licenciatura em Matemática participaram do 7º Simpósio Internacional de Pesquisa em Educação Matemática (SIPEMAT), realizado de 14 a 16 de outubro, no Instituto Federal de Alagoas (IFAL), em Maceió (AL).

Figura 1 - 7º SIPEMAT
Criado em 2006, o SIPEMAT consolidou-se como um espaço de intercâmbio científico na área. Em sua sétima edição, o simpósio teve como tema “Educação Matemática e Equidade: da formação à sala de aula”, propondo diálogos sobre as desigualdades que atravessam os diferentes níveis de ensino e suas implicações na formação inicial e continuada de professores e nas experiências vivenciadas pelos estudantes em sala de aula.

Figura 2 - Estudantes e professor no IFAL
Durante o evento, foram apresentados dois trabalhos desenvolvidos em Campos do Jordão. O trabalho “Adugo: prática contracolonial em aulas de Matemática da Educação Básica”, de autoria dos estudantes Gustavo Pêgo Costa, Isabella Oliveira da Silva e Allan Rafael Lemes Marcondes, com orientação dos professores Everaldo Gomes Leandro e Antônio José de Lima Batista (IFSULDEMINAS), apresenta uma reflexão sobre o uso de jogos em aulas de Matemática como possibilidade de desenvolver práticas contracoloniais.
A pesquisa foi realizada a partir do planejamento de uma proposta com o Jogo da Onça em uma escola pública de Campos do Jordão (SP). A análise articulou o pensamento contracolonial de Nêgo Bispo, as contribuições de Ubiratan D’Ambrósio para a Etnomatemática e os estudos de Regina Grando sobre os momentos de jogo no processo de ensino e aprendizagem.
Os resultados indicaram o interesse das crianças pelo jogo, associado aos povos indígenas Guarani, Bororo e Manchineri, além do desenvolvimento de um olhar crítico sobre as estratégias utilizadas. O estudo também destaca a importância de construir uma cultura escolar que reconheça o jogo como prática contracolonial, ampliando as possibilidades de ensinar Matemática para além da lógica da gamificação e das imposições curriculares.

Figura 3 - Gustavo e Allan em sua apresentação
A pesquisa é resultado do projeto de curricularização da extensão da Licenciatura em Matemática, intitulado “Laboratório de Ensino de Matemática (LEM) itinerante: a formação de professores/as por meio da curricularização da extensão”.
O segundo trabalho apresentado, “A Matemática nas encruzilhadas: narrativas de um Pai de Santo”, é de autoria da egressa Franciele Gislaine Araujo Pereira, sob orientação dos professores Everaldo Gomes Leandro, Maura Araujo Dias e Elísio Machikane Tivane, da Universidade Pedagógica de Maputo, em Moçambique.
A pesquisa teve como objetivo interpretar os saberes e fazeres etnomatemáticos dos povos de terreiro a partir da narrativa de um Pai de Santo. Os resultados evidenciam o terreiro de Umbanda como um espaço de produção de conhecimentos, no qual os pontos cantados, os pontos riscados e as energias vibratórias se articulam em princípios que orientam a organização e a realização dos ritos ancestrais.
O estudo compreende a Matemática como parte das práticas materiais e imateriais que constituem as experiências religiosas, destacando a importância de reconhecer os conhecimentos produzidos em diferentes contextos culturais. Ao aproximar os saberes acadêmicos das vivências presentes na narrativa, a pesquisa contribui para as discussões sobre Etnomatemática, decolonialidade e contracolonialidade, reforçando a necessidade de combater o epistemicídio e valorizar conhecimentos historicamente invisibilizados.

Figura 4 - Franciele em sua apresentação
O trabalho contou com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
A participação no 7º SIPEMAT fortalece o diálogo entre formação docente, pesquisa e práticas educativas, além de ampliar a circulação de investigações que questionam perspectivas tradicionais de ensino e reconhecem a diversidade de saberes presentes na sociedade.

Figura 5 - Na orla de Maceió
A ida dos estudantes ao evento foi viabilizada pelo Edital 47/2026 de apoio à participação discente em eventos científicos e tecnológicos (PIPDE) ao destinar aproximadamente R$ 2.700,00 para custeio de inscrição, passagens, hospedagem e/ou alimentação.
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